Projeto Robalo.
Para cumprir com sua missão,
inicialmente o Projeto Robalo disponibiliza tanques-redes para as
comunidades que vivem da pesca. Eles funcionam como armazenadores
submersos de peixes e acabam com a necessidade da utilização de gelo e
outros custos de armazenamento e conservação, evitando que o pescado
estrague antes mesmo de chegar aos pontos de vendas, principalmente em
grandes distâncias. Conseqüentemente, a margem de lucro dos pescadores é
ampliada e os restaurantes, por sua vez, passam a contar com um produto
de melhor qualidade e mais fresco. O grande diferencial dos tanques é
servir como um reservatório natural, mantendo os peixes vivos enquanto
eles não são comercializados.
Estes tanques-redes possuem
estrutura metálica galvanizada, feitas especialmente para suportarem a
salinidade e as condições adversas do mar. As opções fornecidas são de
32m3 ou de 128m3. O processo todo inclui a
montagem, instalação e a capacitação do pescador no manejo e gestão do
seu tanque.
Tal benefício social resulta
em melhorias ambientais. Além de ampliar a renda dos pescadores, os
tanques também agem, comprovadamente, na recuperação do ecossistema ao
redor desses reservatórios. Uma vez instalados, os tanques são
transformados em recifes orgânicos naturais, onde galhos de podas de
árvores e vegetação são adicionados nestes compartimentos para simular
um ambiente aquático natural.
Em conseqüência desta prática,
os peixes armazenados passam a se alimentar dos resíduos orgânicos
gerados por este ambiente, dispensando a utilização de ração que, em
larga escala, poderia poluir as águas. Tal processo acaba por alimentar
também outros peixes, moluscos e crustáceos que ficam em torno do
tanque, criando, assim, um verdadeiro berçário marinho. Experiências
revelaram que, em regiões onde não havia mais peixes, o ecossistema foi
recuperado após a instalação dos tanques-redes. Nessas localidades, a
pesca predatória fica proibida, impedindo a prática do arrasto.
Para completar, os tanques
disponibilizados pelo IAB funcionam também como bio-indicadores, pois o
fouling (incrustações) que se fixam na estrutura e na malha da rede
servem de parâmetros ambientais de poluição.
O Projeto Robalo desenvolve
também ações de educação ambiental junto ao pescador, visando
conscientizá-lo quanto aos danos ocasionados pela pesca predatória e de
arrastão na região. Os pescadores acabam atuando como agentes
ambientais, sensibilizando as comunidades para as questões relacionadas
ao tratamento adequado dos resíduos orgânicos e inorgânicos.
Em 2003, ano de sua criação, o
Projeto Robalo recebeu o Prêmio von Martius, na categoria humanidade:
uma iniciativa da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha para o
reconhecimento de ações voltadas para o desenvolvimento cultural e
sócio-econômico, com ênfase ao respeito ambiental.
Apoio
científico – O Projeto Robalo também promove o intercâmbio de
técnicos, pescadores beneficiados e pesquisadores de entidades de
estudos da aqüicultura com o intuito de auxiliar no desenvolvimento
científico desta atividade. Por estarem estocados longe dos predadores e
contarem com uma alimentação orgânica diferenciada, os peixes
armazenados nos tanques ficam mais mansos e saudáveis, auxiliando os
pesquisadores da área de biologia marinha a entenderem melhor as
características das espécies confinadas.
Estrutura – Atualmente, o Projeto Robalo conta com três
embarcações equipadas com modernos recursos de navegação, comunicação e
iluminação, uma lancha que comporta cinco pessoas, quatro equipamentos
de refrigeração, dois trituradores de capacidade industrial para o
beneficiamento dos restos orgânicos, equipamentos completos para
mergulho e um galpão de 130 m2.
Para participar do projeto ou obter mais informações, entre em contato
conosco:
monica.bianchi@institutoarrudabotelho.org.br
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